CAP. 22 –  O SEGREDO DE FABIANO

 

 

Trilha sonora deste capítulo: Saudade

http://www.youtube.com/watch?v=qRBb1CdlbtU

Depois dos problemas que tive com Samuel, Fabiano passou a me buscar diariamente em casa e nos tornamos bons amigos. Gabriela adorava ter esse “tio” esperando-a na saída da escola. Como já estava entendendo melhor as coisas, se ressentia da ausência do pai em sua vida.

Meus finais de semana com Gabriela passaram a ser menos solitários, pois Fabiano nos fazia companhia constantemente. Para minha pequena, essa mudança foi bem favorável a ela que encontrou nele um realizador de seus caprichos infantis.

Durante o dia, levávamos Gabriela para passear e a noite saíamos para jantar e minha filha ficava aos cuidados de dona Augusta.

Foi perto da páscoa, um mês depois, que eu descobri o motivo do semblante triste de meu amigo. Ele chegou em minha casa muito nervoso e disse:

- Carol, me ajuda!! Estou me sentindo sufocado! Por favor, me ajuda!

Eu fiquei assustada, nunca tinha visto Fabiano daquele jeito. Resolvi perguntar:

- O que aconteceu para te deixar nervoso desse jeito ?

Em resposta, ele me abraçou e começou a chorar. Seu choro era tão sentido que eu esperei ele se acalmar para então perguntar novamente:

- O que está acontecendo com você ?

- Quer me contar ? Sabe que pode contar comigo!

Com uma expressão de dor ele me respondeu ainda soluçante:

- Hoje é aniversário de morte de minha esposa e de minha filha! E dizendo isso recomeçou a chorar.

Eu fiquei sem reação. Era este o motivo de sua maneira tão calada em muitos ambientes! Abracei-o mais forte e deixei que chorasse em meu ombro até se acalmar.

Quando ele finalmente conseguiu falar novamente, me fez um pedido:

- Você poderia ir até o cemitério comigo ? Não quero ir lá sozinho, a dor é muito grande! Por favor Carol, eu preciso de você nesse momento!

 

 

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 16h27
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CAP. 21 – FABIANO

 

 

Trilha sonora deste capítulo:

http://www.youtube.com/watch?v=GGwWwRj3Vuk

 

Conheci Fabiano quando retornei à minha antiga cidade, transferida pelo banco. Quando soube que seria transferida para C***, fiquei apreensiva, mas convenci a mim mesma, que estaria voltando pela porta da frente. Lutei muito e consegui juntar bens.

No meu primeiro dia de trabalho, Fabiano, que era o gerente do banco, foi me receber e eu logo percebi que ele era uma pessoa de pouca conversa. A minha impressão foi confirmada pelos demais funcionários que não gostavam de sua maneira seca de trabalhar.

Ele era um homem branco, alto, magro e corpo pouco atlético. Cabelos cortados bem curtos e loiro, bem diferente de Samuel. Respirei aliviada por não ter ninguém no meu ambiente de trabalho que me fizesse lembrar a visão do inferno que era Samuel na minha vida.

Fabiano possuía um semblante triste, mas ninguém tinha coragem de saber o por quê.  Como não era de minha conta, também não me preocupei em saber o por quê daquele semblante. Fazia meu trabalho e tentava conviver em harmonia com todos os meus colegas de trabalho.

Mas o seu gesto amigo quando Samuel apareceu no banco me ameaçando, me deixou profundamente tocada. De alguma forma, ele me fazia lembrar de Marcos, que se estivesse perto, certamente estaria me apoiando.

Despertei de meus devaneios com o risinho maroto de Gabriela:

- Mamãe “ta” pensando no tio!!!!!

Não agüentei, abracei minha pequena e a enchi de beijos.

 

 

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 17h23
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CAP. 20 – SAMUEL

 

Trilha sonora deste capítulo

http://www.youtube.com/watch?v=KReK9OtMMq0

 

Deitada em minha cama, minha mente divaga nas lembranças daquele dia. Pela primeira vez nos últimos três anos eu tive uma figura masculina para me defender. Ainda que fosse apenas um colega de trabalho era bom sentir que alguém tinha se preocupado comigo. Tinha vontade de procurar meus pais, mas todas as tentativas resultavam sempre em lágrimas escondidas de Gabi.

Samuel e Fabiano, dois seres tão diferentes que não dava para comparar. Samuel um belo homem, de pele morena clara, corpo definido por treinos exaustivos na academia, cabelo caindo nos ombros, usados num rabo de cavalo e um cavanhaque que lhe conferia um ar muito especial. A boca bem feita, quando se abria num sorriso, me deixava desarmada.

Nos conhecemos num barzinho, onde eu costumava ir todos os dias ao sair do colégio onde trabalhava. Conversamos sobre tantas coisas naquele dia... nem parecia que tínhamos acabado de nos conhecer. Quando me despedi, trocamos telefones e no dia seguinte ele me telefonou.

Começamos a sair e depois de um mês decidimos namorar sério. Nossa relação era intensa e com Samuel, eu nem me lembrava dos medos e temores que um dia eu senti e que deixou marcas profundas na minha vida.

Ficamos juntos por dois anos, até que eu descobri que estava esperando um filho dele. O que eu ouvi me deixou desesperada: “Sou muito jovem para ser pai”. E me fez descer do carro.

Voltei sozinha de táxi para casa e fui para o meu quarto. No dia seguinte, quando dei a notícia de minha gravidez, outro espanto e outra decepção. Meus pais reagiram de forma negativa e deixaram de falar comigo.

A situação ficou insustentável e eu resolvi me mudar para um hotel onde fiquei por dois meses, até que surgiu a oportunidade de um concurso em outra cidade. O cargo não era do meu agrado, mas seria melhor do que ficar dando aulas naquela cidade sendo alvo dos olhares piedosos dos amigos e de hostilidade por parte de conservadores preconceituosos.

Passei no concurso e fui embora recomeçar minha vida.

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 21h45
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CAP. 19 – MOMENTOS DE EMOÇÃO

 

 

Trilha sonora deste capítulo:

 http://www.youtube.com/watch?v=-6INWnzYSg4

 

Quando chegamos em casa, convidei Fabiano para entrar mas ele, alegando cansaço, se despediu e pediu que o esperasse no dia seguinte que ele passaria para me buscar e deixaria também Gabriela no colégio. Nos despedimos com um aperto de mão e Gabi com sua inocência disse:

- Mãe, não é assim que a senhora tem que se despedir do tio! E sem esperar qualquer comentário nosso, ela abraçou Fabiano dizendo:

- Tio, “brigadu” por trazer a gente, mas da próxima vez a gente tem que passar na sorveteria, a gente faz isso todo dia!

Constrangida pelo comentário de Gabriela, eu lhe dei um leve beliscão ao que ela retrucou me deixando ainda mais envergonhada:

- Ai mãe! Não belisca!

Fabiano rindo da inocência de Gabi se abaixou e respondeu:

- Eu não sabia que essa princesinha tinha o hábito de tomar sorvete todos os dias! E colocando a mão no peito em gesto solene continuou a dizer:

- quando o tio te buscar na escola de novo, vamos tomar um big sorvete!

Os olhinhos de Gabi brilharam e ela perguntou:

- Com muita calda de caramelo e chocolate ???

Abrançando minha filha, ele respondeu:

- O tanto que você quiser!

Vendo essa cena, meu coração se encheu de ternura e emoção. Como eu queria que Gabi tivesse essa figura paterna.

Fabiano se despediu rápido e eu percebi que havia uma lágrima que ele segurava em seus olhos... ou eu estaria vendo coisas demais ???

Mais tarde, depois de dar o jantar de Gabriela, peguei o meu velho diário e tentei me concentrar em sua leitura.

 

A***, 26 de fevereiro de 1995

Diário, passei uns dias sem escrever em você, mas não aconteceram muitas coisas legais... os meninos perderam a liderança de classe, ou melhor, em parte, eu fiquei como líder e o Serginho como vice. Mas essa semana estamos nos preparando para o carnaval!!!!  Vamos montar um bloco muito legal!!!!

O Marcos também vai entrar no bloco... estou aflita diário!!

Fechei o diário e me lembrei de Marcos, hoje um empresário bem sucedido e ainda meu grande amigo. A minha vida me levou para tantos lugares.... e nesses tantos lugares eu conheci tantas pessoas... entre elas Samuel e Fabiano... dois  homens tão distintos... um me fazendo tão mal e o outro tão bem.

Deixei o pensamento divagar comparando um e outro mentalmente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 19h41
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CAP. 18 –  FABIANO X SAMUEL

 

Ilustração de executivos lutando boxe

 

Sai do trabalho devidamente escoltada por Fabiano e um guarda do banco levaria meu carro para casa. Fomos direto para a escola de Gabi onde me deparei com uma terrível visão.

Na frente do colégio, Samuel fazia brincadeiras com Gabriela sob o olhar atento de dona Augusta que ainda não sabia que estava diante do canalha que era o pai da minha filha.

Gabriela ria de suas brincadeiras e inocentemente ia se deixar pegar no colo por aquele homem que lhe era tão familiar e ao mesmo tempo um desconhecido, quando eu gritei o nome de minha filha e a arranquei dos braços de Samuel.

Entreguei Gabriela para dona Augusta e pedi que levasse a menina para o carro. Disfarçando a minha raiva, falei baixinho para Samuel:

- Eu já disse para ficar longe da minha filha!

Cínico, ele me ofereceu um belo sorriso e respondeu:

- Meu Deus Carolina! Um pai tem direito de brincar com sua filha!

Fabiano, que até então se mantinha calado, entrou na conversa em minha defesa:

- Que pai ???? um homem que abandona a namorada grávida não é homem, muito menos PAI. Ser PAI é muito mais do que doar espermatozóides... porque a única coisa que você fez até agora, foi isso... doar espermatozóide!

Rindo sarcasticamente, Samuel retrucou:

- Eu não sabia que você tinha um defensor tão ardoroso Carolina!

E dando um empurrão em Fabiano continuou:

- Some daqui palhaço que o meu assunto não é com você!

Segurando Samuel pelo colarinho, Fabiano tornou a me defender:

- Agora ela tem! Fique longe dela! E empurrou Samuel.

Em seguida, me abraçou e me chamou para irmos embora.

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 21h32
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CAP. 17 – UM OMBRO AMIGO INESPERADO

 

 

Preocupado com meu nervosismo, Fabiano me convidou para almoçar. No restaurante, eu tentava me acalmar, afinal, ainda tinha o período da tarde para dar expediente.

Contei minha história a ele que ouviu tudo com muita atenção. O seu gesto me deixou surpresa, pois sua atitude dentro do banco era sempre muito reservada, eu diria até mesmo que era muito fria.

Quando terminamos de almoçar, Fabiano disse:

- Carolina, quando encerrarmos o expediente, me espere que a levarei em casa!

- Não é necessário, eu estou de carro! – Eu respondi.

Insistente ele tornou a dizer:

- Se o problema for buscar sua filha na escola, posso muito bem fazer isso também, faz dois anos que não sei o que é isso, mas será agradável viver essa sensação novamente!

Dizendo isso um sorriso triste se formou em seu rosto, mas eu imaginei que ele pudesse ser separado. Ele logo desviou o assunto e tornou a dizer:

- De volta ao expediente Senhorita Carolina Mendes! E não ouse ir embora sozinha!

Retomando meu semblante sério, perguntei:

- E quem levará meu carro para casa ? Eu preciso dele para trabalhar amanhã! Felizmente a Gabi fica aos cuidados de dona Augusta que cuida dela com todo seu amor, mas as noites são dedicadas aos seus passeios.

Ouvindo isso ele disse:

- Não saia de casa hoje a noite! Pode ser perigoso! Conversaremos mais ao fim do expediente.

O resto da tarde eu passei apreensiva. Ficar sozinha com Gabi em casa me causava pânico. Mas pânico mesmo eu sentiria logo mais.

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 20h35
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Ana Paula Barreto Nascimento
25 anos

Campo Grande - Mato Grosso do Sul Apaixonada pelas histórias da vida real
Gosto de escrever sobre sentimentos
De amores que deram certo
E dos amores que ainda vão dar certo

***

Carolina é uma mulher de 27 anos que muda de cidade para assumir um trabalho novo.
Durante a mudança, sua filha Gabriela encontra seus diários de menina.
Acompanhe a trajetória dessa mulher e suas lembranças...

Eu acredito que sempre haverá
tempo para recomeçar
Sendo assim, eu posso tentar
Sorrir todos os dias!!

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