CAP. 33 – CONSEQUÊNCIAS FUNESTAS

 

 

Tudo ao meu redor estava em silêncio. Eu podia sentir que haviam aparelhos pelo meu corpo e alguns deles me causavam incômodo, mas por mais que eu tentasse, eu não conseguia manifestar minhas sensações, pois aquele estranho sono não deixava.

Senti que Fabiano chorava e me chamava e minha mãe maldizia Samuel enquanto meu pai dizia:

- Deus me perdoe! Mas eu espero que nem o diabo queira um sujeito ruim como esse no inferno!

Fiquei angustiada, queria me mexer e dizer que eu estava bem, mas aquele torpor não me deixava. O sono foi ficando cada vez mais profundo e o aparelho apitou. As últimas palavras que eu ouvi foram:

- Ela acaba de entrar em coma!

 

Fim da primeira parte

 

:: Postado por Aninha Barreto às 14h06
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CAP. 32 – SACRIFICIO DE MÃE

 

 

O resgate ficou combinado para o dia seguinte. Quando Fabiano disse que iria até o banco para fazer o empréstimo para pegar os dez mil reais que Samuel passara a exigir, meu pai disse que não era preciso. Disse que a minha chácara, presente de meu pai quando eu  ainda era adolescente, estava intacta e que ele vendera às pressas para levantar o dinheiro do resgate.

Fabiano e eu nos olhamos e eu comecei a chorar de alegria. Abracei meus pais e e ali eu tive a certeza de que a partir daquele momento, eu tinha recuperado a minha família.

Olhando em meus olhos, o meu amor me disse:

- Assim que a Gabi estiver de volta vamos nos casar na igreja, do jeito que você sempre sonhou!

Eu nem podia imaginar que esse sonho ainda levaria um tempo para se concretizar.

No local combinado,  uma casa desabitada na saída da cidade, esperamos Samuel aparecer. A polícia se manteve escondida para não dificultar a entrega da minha filha.  Ele chegou com Gabriela que inocente, vinha sorridente dizendo:

 - Mamãe!!! Olha que ursinho lindo o tio me deu!

Eu corri para abraçar a minha filha, mas quando me voltei para entrar no carro, senti que algo estava em minhas costas e ouvi Samuel dizer:

- Que comovente!!! Mãe e filha vivendo um momento de reencontro!!!

Mas ao ver que a polícia lhe dava voz de prisão, ele revirou os olhos e num impulso me puxou para junto dele e disse:

- Eu disse que não queria polícia! Agora escolha, ou você vem comigo ou levo a menina de volta!

Sem pensar duas vezes, eu disse:

- Não faça nada com a Gabi!!!! Por favor!!! E me deixei arrastar para o carro.

De dentro do carro, Samuel gritou:

- Levarei a Carolina para ter certeza de que não irão me perseguir!!

Gabriela olhava tudo assustada e se encolheu no colo de minha mãe.

Olhei para Fabiano e sinalizei para ele o nosso sinal de amor eterno. A sensação que eu tinha é que talvez pudesse ser a última vez que o veria.

Na estrada, Samuel corria feito louco, e eu pedia desesperada que andasse mais devagar. Ele ria e dizia:

- Relaxa meu amor!! Aproveita a viagem!!!!!!

Eu suava frio dentro do carro, a velocidade aumentava cada vez mais. A polícia nos perseguia e eu torcia para que um milagre acontecesse e aquele carro fosse interceptado pela polícia.

Resolvi fechar os olhos, mas tive que abri-los com o grito de Samuel:

- Pára de rezar!!! Aproveita a viagem! Já disse!

Eu chorava e pedia para que ele andasse mais devagar. Uma buzina chamou minha atenção e eu gritei. Samuel tentara uma ultrapassagem arriscada que acabou fazendo com que o carro capotasse. Fechei os olhos e pedi a Deus  que eu sobrevivesse àquele inferno para cuidar de minha filha ainda tão pequena.

As últimas cenas que eu me lembro de ter visto ainda nos sentidos da carne, foram os policiais me retirando de dentro do carro devido ao forte cheiro de gasolina e o carro se incendiando. Adormeci.

 

 

 

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 20h45
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CAP. 31 – MOMENTOS DE ANGÚSTIA

 

 

Dois dias se passaram sem que Samuel desse notícias de minha filha. A minha angústia já não cabia mais dentro de mim. Entrar no seu quarto e ver suas coisinhas paradinhas me dava desespero.

Eu não podia acreditar que estava vivenciando esse pesadelo, afinal, como podia o pai seqüestrar a própria filha ???? Será que ele não era capaz de sentir um mínimo de sentimento ???

Meus pais se hospedaram em meu apartamento e meu pai tomou as rédeas da negociação com Fabiano. Minha mãe fazia de tudo para me manter calma, mas era impossível deitar a cabeça no travesseiro sem saber como estaria a minha filha ?? a filha por quem eu deixei tudo e que agora me era tomada violentamente! E justamente por quem nunca quis saber dela!

Vendo minha aflição cada vez mais crescente, Fabiano me dispensou do serviço no banco e minha mãe me chamou para conversar:

- Ótimo! Era tudo o que eu precisava! Lavar roupa suja com a minha filha desaparecida!

Mas para minha surpresa, minha mãe tinha algo bom a me dizer. Depois de me olhar nos olhos como ela fazia nos meus tempos de criança, ela começou:

- Minha filha, eu sei que temos agido errado com você nos últimos anos! Não aceitamos sua gravidez e nem atentamos para o fato de que você não era mais uma adolescente! Era uma mulher feita, independente e que há algum tempo já não dependia de nós!

Eu estava esgotada emocionalmente e não consegui segurar as lágrimas que já começavam a rolar pelo meu rosto. Minha mãe me abraçou e me disse:

- Perdão! Perdão filha por tê-la abandonado quando mais precisou de mim!

Eu não agüentei mais. Abraçada a ela eu chorava e dizia:

- Cadê a Gabi mãe ?????? Eu não agüento mais tanta espera!!!! Isso está me matando!!!!

Ouvimos o telefone tocar e meu pai correu para atender:

- Alô ?! Não, aqui é o pai dela! Por favor, devolva a nossa neta!!!!!

A conversa ainda se prolongava no telefone da casa quando o meu celular toca e vejo que é Fabiano. Resolvi atender o telefone em prantos:

- Querido! Samuel está no telefone com meu pai! Por favor, vamos entregar tudo pra ele! Eu vou para um hotel, mas vamos entregar tudo o que ele quiser! Mas eu quero a minha filha de volta!

Ao desligar o telefone o meu pai diz a conclusão da conversa:

- O resgate está negociado!

 

 

 

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 20h42
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CAP. 30 -  ONDE ESTÁ GABRIELA ???

 

Passei os últimos dois dias em total desespero. Tinha medo de que Fabiano tentasse alguma coisa contra mim, afinal, se algo me acontecesse, quem ficaria com Gabi ?

Eu ainda não havia tomado coragem para procurar meus pais e contar o que estava acontecendo. Fabiano me tranqüilizava de que tudo ficaria bem.

Passados sete dias e vendo que nada acontecia, decidimos retomar nossas atividades normalmente. Mudamos para um apartamento e meu querido veio morar comigo e minha filha. Arrumamos aposentos para dona Augusta que agora deveria mais do que nunca ficar de olho em Gabi na minhj ausência.

Mas, o diabo quando quer provocar estragos na vida de uma pessoa, ele espera que ela esteja tranqüila. E foi num dia tranqüilo que eu cheguei do trabalho e subi para o apartamento antes de Fabiano.

Ao abrir a porta, dei um grito de susto quando me deparei com dona Augusta desmaiada no chão e sangrando muito. Junto a ela havia um bilhete:

“eu avisei que queria os R$ 2.000,00 para 48 horas. Para garantir que vou receber esse dinheiro levei nossa filha para passar umas férias na casa do papai.”

Com amor,

Papai Samuel

Para bom entendedor, meia palavra basta. Saí correndo pelo apartamento e horrorizada, constatei que Samuel falava a verdade. Ele havia levado minha filha.

Estava saindo de casa para chamar Fabiano quando ele chegou e eu o abracei em prantos dizendo:

- Levaram a minha filha!!! Levaram a minha filha!!!!!!!

Fabiano tentava entender o que eu falava, mas o meu nervosismo era tanto que eu não conseguia colocar as palavras em ordem. Foi preciso que ele lesse o recado e visse dona Augusta desmaiada para entender que ali havia acontecido um seqüestro.

A primeira providência de Fabiano foi ligar para uma ambulância que levou nossa secretária para o hospital.

Sem me consultar, Fabiano pegou meu telefone e verificou o número da casa de meus pais e telefonou para lá:

- Alô ?! Seu Gustavo ? É o Fabiano, marido da sua filha Carolina! Venham para cá imediatamente pois sua neta foi seqüestrada!

Meu pai deve ter ficado nervoso pois Fabiano agora tentava acalmá-lo:

- Calma seu Gustavo! Ainda não temos idéia de onde Gabriela possa estar! Mas esqueçam seus problemas com a Carol e venham logo para cá! Anote o endereço por favor!

Depois de um tempo que para mim valeram como horas, meus pais e irmãos chegaram acompanhados de advogados e policiais.

Na mesmo instante meu celular tocou, verifiquei o número que me apareceu como confidencial. Fabiano tomou de minha mão e atendeu:

- De hoje em diante, quem atende esse celular sou eu! E dizendo isso continuou:

- Alô ? Sim , é o Fabiano, marido da Carol! Quer negociar o resgate da Gabriela ???/

Pela expressão do rosto de meu marido, percebi que o valor pedido era bem alto e me angustiei.

Minha mãe e minha irmã vieram me abraçar solidárias com minha dor. Nesse momento eu esqueci de todas as nossas diferenças e me permiti ser abraçada por elas.

Onde estaria a minha filha ????

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 21h42
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CAP. 29 – TRANQUILIDADE... ATÉ QUANDO ????

 

Os dias ao lado de Fabiano adquiriram um novo colorido para mim. Gabriela aceitou-o  em nossa vida e já se habituara a chamá-lo de “pai postiço”.

No banco, os nossos colegas aprovaram o nosso relacionamento, sobretudo quando perceberam que não havia regalias para mim. Eu precisava trabalhar dobrado agora, pois precisava mais do que nunca mostrar que eu não era apenas um rostinho bonito.

Mas parece que tranqüilidade é algo que não fica muito tempo em minha vida. Hoje, saindo do banco, fomos abordados por Samuel que saudou-nos com muita ironia:

- Palmas!!!! Palmas para o belo casal que vai encher os meus bolsos!!!! Parabéns minha querida Carolina, você é esperta garota!!! Além de dividir seus lucros comigo ainda vou ganhar em cima desse trouxa que você insiste em carregar a tiracolo.

Respirei fundo e tentei interiorizar na minha mente:

- Calma Carolina! Isso não está acontecendo, é apenas uma ilusão do deserto e daqui a pouco ela vai passar!

Mas não era uma ilusão, Samuel estava ali, diante de nós, com seu sorriso irônico e ameaçador e foi nesse tom ameaçador que ele continuou falando:

- Acho bom você dar um jeito de me arrumar essa grana antes que eu resolva te fazer chorar!

Fabiano tentou manter a calma e respondeu para Samuel:

- Quanto você quer para nos deixar em paz ?

Irônico, Samuel respondeu:

- Fica na tua meu camarada! O meu negócio ainda é com ela!

E dizendo isso deu um empurrão em Fabiano, que já ia se preparar para revidar, quando eu gritei e pedi que parassem com isso.

Sem perder a oportunidade de espezinhar, Samuel riu de nós e disse:

- meu Deus!!! Eu estou maravilhado!!!! Vejo que você progrediu Carolina!!! Já aprendeu a mandar num homem!!! Bom... antes tarde do que nunca não é mesmo ??!!

Nervosa com os acontecimentos eu implorei para Fabiano que deixasse aquele maluco sozinho e fomos para casa.

Em minha casa, encontramos D. Augusta angustiada com uma carta anônima que chegara para mim. Sem esperar minha reação, Fabiano tomou-a das mãos da secretária e leu o conteúdo:

 

“Saudações minha querida Carolina!!! Essa carta é para te dar 48 horas para você depositar R$ 2.000 em minha conta ou sofrerá as conseqüências mais tristes de sua vida... por enquanto é um aviso, mas após 48 horas, você derramará todas as lágrimas de sua vida.”

Com amor,

Samuel

 

 

Raiva e desespero fervilhavam em mim e Fabiano decidiu que nos mudaríamos para um apartamento. Não dava mais para ficar sozinha com Gabi e D. Augusta.

Naquela mesma noite fomos para um hotel e um esquema de segurança foi montado para a nossa segurança.

Se eu pudesse imaginar o que ainda iria acontecer, teria vendido tudo para dar o dinheiro para esse bandido a quem um dia jurei o meu amor.

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 21h17
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CAP. 28 – MOMENTOS DE FELICIDADE

 

Paralisada de emoção...foi assim que eu me senti quando Fabiano me fez a pergunta mais linda e mais assustadora do mundo:

- Quer ser minha namorada, minha noiva e muito em breve minha esposa ????

Devo ter demorado para conseguir falar, pois o olhar angustiado de Fabiano me pedia uma resposta.

Olhando fixamente em seus olhos eu respondi:

- Você me pergunta se eu quero ser feliz ?

E com um sorriso lindo ele tornou a dizer:

- Isso significa...

- Que SIM! Que eu quero ser sua namorada, noiva e esposa muito em breve!!

Segurando minhas mãos, Fabiano me afirmou todo o seu amor numa só palavra:

- Eu te amo Carolina! E prometo a você que nunca mais ninguém vai pisar em você, pois agora você terá um HOMEM para defendê-la e a Gabi terá um pai para fazer tudo por ela! Mas quero assumi-la como filha! Vamos educá-la e esfregar na cara dos pais preconceituosos que Gabriela tem um pai para protegê-la das maldades do mundo!

Ao ouvir as palavras de Fabiano, senti uma onda de emoção invadir o meu íntimo e deixei que as lágrimas molhassem meu rosto. Saber que esse vazio da minha vida estava no fim e que em breve Gabi teria um pai protetor me enchia de alegria, tranqüilidade e segurança quanto ao futuro.

Passeamos pelo Parque das Acácias desfrutando de momentos felizes. Eu podia enfim enxergar um futuro colorido diante de meus olhos.

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 16h48
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CAP. 27 – UM NOVO RELACIONAMENTO

 

 

O nosso jantar teve um sabor especial de encantamento e magia. O meu namorado é um homem maravilhoso (sim, leitores, agora ele é meu namorado!) e me fazia sentir única em todo o universo.

Saímos do restaurante e fomos para uma praça onde as famílias costumavam passear depois do expediente. Parados diante de uma fonte, Fabiano me ofereceu uma caixinha de veludo vermelha com detalhes em dourado:

- Carol, essa caixinha de agora em diante irá te acompanhar por toda a sua vida! Porque eu a quero em minha vida para sempre! Não sou homem de brincar com sentimentos de uma mulher!

Olhei para aquela caixinha e fiquei curiosa sobre o seu conteúdo. Abri devagar e fiquei maravilhada com o que encontrei. Uma aliança maravilhosa, em ouro branco e amarelo com uma pequena pedra de diamante no meio que brilhava dando um brilho ainda mais especial àquele momento.

Fabiano pegou a aliança e colocou em minha mão direita e disse uma frase tão linda que encheu meus olhos de lágrimas:

- Escolhi o ouro porque o nosso amor deve ser duradouro como ele e não como a prata que depois de um tempo enferruja!

Eu o abracei enternecida e intimamente agradecia a Deus por ter encontrado esse homem tão maravilhoso em minha vida. Fabiano interrompeu nosso abraço e disse:

- Agora falta você colocar a minha aliança, afinal eu preciso anunciar aos quatro ventos que encontrei uma mulher maravilhosa em minha vida!

Coloquei a aliança de Fabiano e desejei que realmente nosso amor fosse duradouro como o ouro.

 

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 17h32
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QUERIDAS LEITORAS, EM VIRTUDE DO FERIADO, ESTAREI FORA DA CIDADE POR UNS DIAS E COMO NÃO TENHO ACESSO A INTERNET NA CIDADE ONDE ESTAREI, VOLTO COM O DIÁRIO DE CAROLINA NA SEGUNDA-FEIRA!!

 

UM ÓTIMO FERIADO A TODAS AS LEITORAS!!!!!! AMO VOCÊS!!!!!

:: Postado por Aninha Barreto às 22h11
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CAP. 26 – UM SORVETE, UM CONVITE

 

 

Na sorveteria, enquanto Gabriela se ocupava ativamente de seu sorvete, Fabiano e eu trocávamos olhares divertidos enquanto tomávamos nossos sorvetes.

De repente Fabiano me olhou diretamente nos olhos e perguntou baixinho para que Gabriela não escutasse:

- Por que uma mulher tão linda ainda está sozinha ?

Eu fiquei desconcertada com uma pergunta tão direta e que de alguma forma tocava uma ferida que eu preferia ignorar em minha vida!

Mas respirei fundo e respondi:

- Hoje eu não sou mais uma mulher totalmente livre Fabiano! Tenho uma filha para criar! E você sabe o quanto as pessoas, principalmente os homens, são cruéis com mães solteiras! Só se aproximam de nós, porque imaginam que somos fáceis! É fácil conhecer meus passos, criticá-los e desconhecer os meus tropeços!

Fabiano segurou minha mão e por um momento eu esqueci de que Gabriela estava conosco e me permiti segurar a sua. Era delicioso sentir o toque de uma mão masculina, principalmente porque essa mão me transmitia paz e segurança.

Acariciando minha mão, ele me fez um convite que daria a minha vida um novo colorido:

- O que acha de jantar fora hoje ???? Mas dessa vez a Gabi fica com dona Augusta!

Ao ouvir “Gabi fica com dona Augusta”, ela logo se interpôs na conversa:

- Eu vou também! Se for pra passear eu não vou ficar em casa sozinha!

Eu não agüentei... tive que rir... igualzinha a mim quando era pequena, que não perdia nenhum detalhe da conversa quando me interessava.

Peguei Gabi no colo e tratei de entrar em acordo com ela:

- Filha, a mamãe vai sair com o tio Fabiano a noite! Mas como vamos voltar tarde, a senhorita vai ficar com a dona Augusta! Em troca de você liberar a mamãe pra sair, amanhã te levo pra jantar naquela lanchonete que você ADORA! Combinado ?

Negociar com Gabi era fácil, mesmo sabendo que ia doer no meu bolso, tinha certeza de que esse jantar seria inesquecível!

Olhando para Fabiano toda atrevidinha, ela diz:

- Tio, o senhor tem que cuidar bem da mamãe! E tem que trazer presente pra mim, senão eu não deixo mais ela sair com o senhor!

- Gabriela, isso são modos ???? bronqueei com ela.

Fabiano achou graça da situação, mas eu disse que ela tinha que parar com essa mania de querer tirar vantagem de tudo, não estava certo!

Quando chegamos em casa, deixei que ela fosse brincar no quintal e acompanhei Fabiano até a porta. Ao se despedir ele me puxou pra perto dele e me roubou um beijo e disse:

- Será que eu ganho um desse logo mais ????

Não respondi. Puxei ele pra mais perto de mim e o beijei.

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 22h07
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CAP. 25 – ESTREITANDO LAÇOS

 

 

No caminho de volta pra casa, Fabiano estava silencioso. Eu respeitei seu silêncio e pensei em tudo que tinha visto e ouvido hoje. Esse homem charmoso ao meu lado guardava dentro de si um sofrimento tão grande e mesmo assim fora capaz de me defender com tanto ardor sem ao menos conhecer a minha história.

Fui arrancada de meus pensamentos pela voz de Fabiano que me chamava:

- Planeta terra chamando Carolina! E me deu um leve beliscão.

- Ai Fabiano! Quer me matar de susto ???? Fiz uma careta tentando mostrar que tinha ficado brava, mas eu não conseguia ficar brava com aqueles lindos olhos azuis...

(Carolina, que pensamento é esse!!! Ele é seu chefe, está todo triste lembrando da esposa e da filha e você pensando bobeiras ??? céus!! Não sou eu!)

- Um sorvete de leite condensado pelos seus pensamentos! Ele riu e pegou em minha mão.

(ai meu Deus!! Leitores, vejam como estou me sentindo ridiculamente adolescente! A mão dele pousou sobre a minha por puro engano! Tenho certeza!)

- Sorvete de leite condensado ???? Só se tiver calda de chocolate!  Eu respondi e devo ter feito uma carinha de criança pidoncha pois ele rindo respondeu:

- Onde eu já ouvi essa frase ???? Deixa eu me lembrar....

- Ah sim! Tal mãe, tal filha! A Gabi tem a quem puxar! E abriu o sorriso mais lindo do mundo, era bom ver esse sorriso depois de ter sofrido tanto.

Olhando fundo nos meus olhos ele continuou:

- E então, vamos tomar sorvete ?

- Convite aceito senhor Fabiano! Mas preciso levar sorvete pra Gabriela depois!

- De fato Carol, vamos fazer melhor! Vamos buscá-la!

E seguimos para minha casa buscar minha pequena que em pequenos instantes estaria toda melada de calda e sorvete, para o meu desespero que teria que dar banho nela mais tarde...

 

 

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 16h17
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CAP. 24 – AINDA NO CEMITÉRIO...

 

 

A história de Fabiano era bem triste... que dor ele não sentiu ao acordar num quarto de hospital, machucado, cheio de dores e ainda descobrir que sua família não existia mais.

Percebendo que me contar sua história estava ajudando a acalmá-lo, deixei que continuasse e sentamo-nos no banquinho de frente para a lápide.

- Fernanda e Gaby foram veladas na capela do hospital. Alguns amigos vieram para o velório. Quando eu apareci todo enfaixado, senti que todos os olhares que voltaram para mim. Em outros tempos, eu diria que chorar na frente dos outros, era indelicado, mas naquele momento, eu não queria saber dos meus antigos pensamentos, só pensava na realidade que eu via diante de meus olhos... a minha família dentro de um caixão... era demais pra mim... chorei diante de todos eles, extravasando a minha dor!

- Meus pais me amparavam tentando me dar forças, mas eu queria estar ali com elas, não fazia sentido continuar vivendo vendo minha família desfeita por culpa de um motorista desatento!

- Meus sogros choravam a perda da filha e da neta  e não sabiam o que me dizer, nos abraçamos os três, irmanados na mesma dor.

- Tirei alguns meses de licença para poder me recuperar e tentar esquecer essa tragédia. Fechei a minha casa e voltei a morar com meus pais, era insuportável chegar em casa e ver tudo vazio e sem vida!

- Eu me acostumei a ser sozinho e de certa forma, me tornei uma pessoa calada, de pouca conversa. E então eu conheci você, que veio trabalhar na agência onde eu sou gerente e que também tinha uma história triste.

- No dia em que te vi gritar com o seu antigo noivo e começar a chorar, algo em mim me fez ir te defender! Pensei que naquele acidente, se fosse eu quem tivesse  morrido, a minha esposa teria ficado viúva com uma filha para criar ou talvez sozinha... e a mercê de encontrar um cara como esse Samuel... e então eu resolvi te defender pessoalmente e me aproximei de você! E foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida... os meus dias já não são mais solitários e eu só tenho a te agradecer por isso!

Deixamos o cemitério e fomos para minha casa.

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 13h36
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CAP. 23 – NO CEMITÉRIO

 

 

Trilha sonora deste capítulo: Baby can I hold you

http://www.youtube.com/watch?v=Gax0peRB8-I

 

Chegamos ao cemitério e paramos diante de uma lápide onde se encontravam os nomes Fernanda e Gabrielly.  Pelas datas percebi que Fernanda era a falecida esposa de Fabiano e Gabrielly, a filha que morrera com apenas 3 aninhos, idade de minha filha.

Próximo às lápides, havia um banquinho branco cercado por uma roseira que exalava um perfume delicioso. Eu sei, é uma ironia dizer que flores exalam perfumes diante de lápides, mas o perfume delas tornava o ambiente menos triste.

Depois de um tempo em silêncio, Fabiano começou a me contar a causa do falecimento de ambas:

- Estávamos voltando de Santa Catarina onde havíamos ido passar as férias. Saímos cedo de Floripa para não correr riscos na viagem...

Dizendo isso, ele soltou um riso nervoso e continuou:

- Mas eu me esqueci de que não adianta apenas um motorista ter cuidado se os demais andam como loucos. E foi um louco desses que fazendo uma ultrapassagem forçada em alta velocidade no sentido oposto ao nosso, colidiu com nosso carro.

Não pude deixar de imaginar a cena e sentir na própria pele a dor que ele sentiu e que ainda hoje sentia.

Respirando profundamente ele continuou:

- Eu não vi mais nada depois da batida! Quando acordei, estava num hospital e as enfermeiras me disseram que eu fiquei adormecido por três dias para não sentir tanto as dores do acidente.

- A primeira coisa que procurei saber, foi do estado de Fernanda e de Gabrielly e o médico me disse que em breve teria notícias delas. Ele pediu que eu descansasse um pouco mais e que pela tarde eu teria alta e que meus pais estavam a caminho para me tirarem do hospital, pois como estava machucado, precisaria de auxílio.

Diante dessa promessa, eu adormeci novamente. Mas se eu pudesse imaginar o que eu ouviria de meus adoráveis pais, acho que preferiria ter morrido com elas.

Dizendo isso, ele acariciava a lápide onde jaziam os restos mortais de suas queridas esposa e filha.

Respeitei seu silêncio e me limitei a dar meu apoio em forma de um abraço.

Retribuindo meu abraço ele perguntou se podia continuar. Eu acenei com a cabeça que sim. E os relatos de meu amigo, quase me fizeram chorar, mas a minha posição ali, não me dava esse direito, eu precisava confortá-lo. Ele prosseguiu:

- Despertei no inicio da tarde e vi meus pais ao meu lado, com feições apreensivas. Desconfiei que alguma coisa não estava bem e perguntei novamente por Fernanda e Gaby.

- Minha mãe segurando a minha mão apenas me disse: “Filho, precisamos que você seja forte neste momento!”

- Olhei minha mãe nos olhos e vi que algo ruim tinha acontecido. Não suportando mais aquilo tudo pedi que me contassem o que havia acontecido.

- E então minha mãe me deu a terrível notícia: “Filho, sua esposa e sua filha não sobreviveram ao acidente!”

- Carol, foram as últimas palavras que eu ouvi antes de começar a gritar feito louco no hospital!

 

 

 

 

 

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 17h02
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CAP. 22 –  O SEGREDO DE FABIANO

 

 

Trilha sonora deste capítulo: Saudade

http://www.youtube.com/watch?v=qRBb1CdlbtU

Depois dos problemas que tive com Samuel, Fabiano passou a me buscar diariamente em casa e nos tornamos bons amigos. Gabriela adorava ter esse “tio” esperando-a na saída da escola. Como já estava entendendo melhor as coisas, se ressentia da ausência do pai em sua vida.

Meus finais de semana com Gabriela passaram a ser menos solitários, pois Fabiano nos fazia companhia constantemente. Para minha pequena, essa mudança foi bem favorável a ela que encontrou nele um realizador de seus caprichos infantis.

Durante o dia, levávamos Gabriela para passear e a noite saíamos para jantar e minha filha ficava aos cuidados de dona Augusta.

Foi perto da páscoa, um mês depois, que eu descobri o motivo do semblante triste de meu amigo. Ele chegou em minha casa muito nervoso e disse:

- Carol, me ajuda!! Estou me sentindo sufocado! Por favor, me ajuda!

Eu fiquei assustada, nunca tinha visto Fabiano daquele jeito. Resolvi perguntar:

- O que aconteceu para te deixar nervoso desse jeito ?

Em resposta, ele me abraçou e começou a chorar. Seu choro era tão sentido que eu esperei ele se acalmar para então perguntar novamente:

- O que está acontecendo com você ?

- Quer me contar ? Sabe que pode contar comigo!

Com uma expressão de dor ele me respondeu ainda soluçante:

- Hoje é aniversário de morte de minha esposa e de minha filha! E dizendo isso recomeçou a chorar.

Eu fiquei sem reação. Era este o motivo de sua maneira tão calada em muitos ambientes! Abracei-o mais forte e deixei que chorasse em meu ombro até se acalmar.

Quando ele finalmente conseguiu falar novamente, me fez um pedido:

- Você poderia ir até o cemitério comigo ? Não quero ir lá sozinho, a dor é muito grande! Por favor Carol, eu preciso de você nesse momento!

 

 

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 16h27
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CAP. 21 – FABIANO

 

 

Trilha sonora deste capítulo:

http://www.youtube.com/watch?v=GGwWwRj3Vuk

 

Conheci Fabiano quando retornei à minha antiga cidade, transferida pelo banco. Quando soube que seria transferida para C***, fiquei apreensiva, mas convenci a mim mesma, que estaria voltando pela porta da frente. Lutei muito e consegui juntar bens.

No meu primeiro dia de trabalho, Fabiano, que era o gerente do banco, foi me receber e eu logo percebi que ele era uma pessoa de pouca conversa. A minha impressão foi confirmada pelos demais funcionários que não gostavam de sua maneira seca de trabalhar.

Ele era um homem branco, alto, magro e corpo pouco atlético. Cabelos cortados bem curtos e loiro, bem diferente de Samuel. Respirei aliviada por não ter ninguém no meu ambiente de trabalho que me fizesse lembrar a visão do inferno que era Samuel na minha vida.

Fabiano possuía um semblante triste, mas ninguém tinha coragem de saber o por quê.  Como não era de minha conta, também não me preocupei em saber o por quê daquele semblante. Fazia meu trabalho e tentava conviver em harmonia com todos os meus colegas de trabalho.

Mas o seu gesto amigo quando Samuel apareceu no banco me ameaçando, me deixou profundamente tocada. De alguma forma, ele me fazia lembrar de Marcos, que se estivesse perto, certamente estaria me apoiando.

Despertei de meus devaneios com o risinho maroto de Gabriela:

- Mamãe “ta” pensando no tio!!!!!

Não agüentei, abracei minha pequena e a enchi de beijos.

 

 

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 17h23
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CAP. 20 – SAMUEL

 

Trilha sonora deste capítulo

http://www.youtube.com/watch?v=KReK9OtMMq0

 

Deitada em minha cama, minha mente divaga nas lembranças daquele dia. Pela primeira vez nos últimos três anos eu tive uma figura masculina para me defender. Ainda que fosse apenas um colega de trabalho era bom sentir que alguém tinha se preocupado comigo. Tinha vontade de procurar meus pais, mas todas as tentativas resultavam sempre em lágrimas escondidas de Gabi.

Samuel e Fabiano, dois seres tão diferentes que não dava para comparar. Samuel um belo homem, de pele morena clara, corpo definido por treinos exaustivos na academia, cabelo caindo nos ombros, usados num rabo de cavalo e um cavanhaque que lhe conferia um ar muito especial. A boca bem feita, quando se abria num sorriso, me deixava desarmada.

Nos conhecemos num barzinho, onde eu costumava ir todos os dias ao sair do colégio onde trabalhava. Conversamos sobre tantas coisas naquele dia... nem parecia que tínhamos acabado de nos conhecer. Quando me despedi, trocamos telefones e no dia seguinte ele me telefonou.

Começamos a sair e depois de um mês decidimos namorar sério. Nossa relação era intensa e com Samuel, eu nem me lembrava dos medos e temores que um dia eu senti e que deixou marcas profundas na minha vida.

Ficamos juntos por dois anos, até que eu descobri que estava esperando um filho dele. O que eu ouvi me deixou desesperada: “Sou muito jovem para ser pai”. E me fez descer do carro.

Voltei sozinha de táxi para casa e fui para o meu quarto. No dia seguinte, quando dei a notícia de minha gravidez, outro espanto e outra decepção. Meus pais reagiram de forma negativa e deixaram de falar comigo.

A situação ficou insustentável e eu resolvi me mudar para um hotel onde fiquei por dois meses, até que surgiu a oportunidade de um concurso em outra cidade. O cargo não era do meu agrado, mas seria melhor do que ficar dando aulas naquela cidade sendo alvo dos olhares piedosos dos amigos e de hostilidade por parte de conservadores preconceituosos.

Passei no concurso e fui embora recomeçar minha vida.

 

 

 

:: Postado por Aninha Barreto às 21h45
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Ana Paula Barreto Nascimento
25 anos

Campo Grande - Mato Grosso do Sul Apaixonada pelas histórias da vida real
Gosto de escrever sobre sentimentos
De amores que deram certo
E dos amores que ainda vão dar certo

***

Carolina é uma mulher de 27 anos que muda de cidade para assumir um trabalho novo.
Durante a mudança, sua filha Gabriela encontra seus diários de menina.
Acompanhe a trajetória dessa mulher e suas lembranças...

Eu acredito que sempre haverá
tempo para recomeçar
Sendo assim, eu posso tentar
Sorrir todos os dias!!

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